domingo, 4 de julho de 2021
Pensando e Conhecendo XXX
segunda-feira, 14 de junho de 2021
Defesa de tese de doutorado e titulação acadêmica em 11/06
PPGD/UERJ
Cartéis e Cooperativas: a agência epistêmica face o argumento de autoridade
Orientador Prof. Dr. Artur Gueiros
Banca: Profs. Drs. Carlos Eduardo Japiassú, Jorge Câmara, Renato Moraes e Ana Frazão.
Pensando & Conhecendo XXIX
A realidade é o que aproxima a metafísica da epistemologia. Por definição, a metafísica é o estudo dos vários problemas filosóficos sobre a realidade. Conquanto a epistemologia seja o estudo dos vários problemas filosóficos sobre as tentativas de conhecer a realidade. No campo dos conhecimentos empíricos, a distinção entre metafísica e a epistemologia é bem mais fácil de ser percebida, porque ela se mostra cogente numa delimitação metodológica. A empiria descarta de sua alçada cognitiva qualquer saber que não possa ser rigorosamente certificado por alguma observação sensorial em articulação com a sistematização matemática. Mas, isso não resta nada evidente, quando se trata da hermenêutica.
Eu
posso dar voltas e mais voltas coerentes, mesmo sem nunca tocar num eixo
teológico, porque em seu fundamento último emerge o mistério. Mas em ciência, não há mistério em seu
fundamento. Há desconhecimento. A pergunta fundamental da epistemologia não é
o que se conhece do que se sabe. Mas, é
o que não se conhece do que se sabe.
Sabemos das funções lineares da geometria analítica que, no limite,
nenhum dos infinitos raios tocará o eixo de um círculo, pois sempre se
desconhecerá este ponto infinitesimal; mas é na existência desse limite que
toda roda gira.
sexta-feira, 28 de maio de 2021
Pensando & Conhecendo XXVIII
O início de pensamento é o espanto, o assombro, o abismo, mas não a crença. Explicar já não é pensar. É raciocinar, o que sempre é reflexivo; não é inflexivo como o pensamento de onde emerge uma crença já como linguagem. Criar linguagem faz parte da atividade filosófica, um desdobrar em pensamento. A estranheza não se confunde com invalidade veritística. A lógica contemporãnea é capaz de lidar até mesmo com a esquizoanálise de Deleuze. Bastante entender que se trata de proposições antifundacionistas, o que o coloca dentre pensadores coerentistas. A discussão entre coerentistas e fundacionistas rebate até hoje na regressão ao inifinito exposta por Blaise Bascal ainda no XVII.
Se não acompanhamos um texto escrito por alguém não o faz necessariamente obscuro, é preciso primeiro distinguir se ele apresenta algum fundamento, ou se não, alguma coerência. Quando se está criando linguagem, isto leva tempo e requer paciência do leitor. Pois a medida do pensamento não é dada pela nossa capacidade de acompanhar a linguagem emergente por quem está pensando.
sexta-feira, 14 de maio de 2021
Pensando & Conhecendo XXVII
Para a lógica, doxa é crença. A crença é o limiar entre a lógica e o fenômeno, na qual uma estrutura inconsciente lhe dá forma inflexiva (dimensão ontológica). A crença já se mostra em linguagem, ou seja, ela emerge do inconsciente para a consciência em flexão linguística, no mais das vezes, declarativa: algo é; algo vale (dimensão ôntica). A flexão é o que correlaciona crença e conhecimento, vez que a cogitação seja sempre reflexiva de si para si diante de algo que seja ou valha. Da reflexão, a representação do acontecimento originário da crença num fato: alguém crê de algum modo em algo. Então, há um terceiro caráter diferencial entre a crença e o conhecimento: a faticidade. A crença é relacional; o conhecimento é factual. Em suma, diferentemente do agente doxástico, o agente epistêmico lida com a derivação, reflexividade e faticidade. O agente doxástico lida com o acontecimento, a inflexão e a relação. Esses agenciamentos não se manifestam um sem o outro; da interatividade deles, emerge as imbricadas correlações entre opinar e saber.
quinta-feira, 6 de maio de 2021
Pensando & Conhecendo XXVI
Não são sempre os princípios orientados para os fins que governam o devir do Direito através da função, porque na escuta do sofrimento alheio, por uma frase que acontece, há uma eloquência dos silêncios ou esquecimentos que se manifestam numa diferença simultânea à articulação das frases. Essa ocorrência, Lyotard chamou de diferendo. Esse silêncio é a negatividade de um argumento impossível de ser apresentado em confronto com outro argumento positivado por inexistir um juízo de isonomia aplicável aos dois argumentos.
Por isso, nenhum encadeamento de frases é sempre determinado. Senão no horizonte de um gênero dado de discurso cuja ordem e possibilidade funcionam de acordo com o fim a atingir, eis que em cada discurso dado há uma valência comunicativa: referente e significado; destinatário e remetente. O que coloca em xeque a ideia como símbolo sintético do heterogêneo e reflexivo da correlação entre determinadas manifestações singulares. O diferendo surge onde há falta de mediação entre gêneros discursivos por escapar-lhe as faculdades cognitivas. O diferendo é uma ideia que não apresenta um objeto à qual se lhe atribua uma função a que se possa valer num esforço metódico de solução de conflitos. Antes, ele é um prenúncio pela alteridade obliterada da sua realização.
Em vez de um imperativo de universalização, um imperativo de alteridade.






