quarta-feira, 12 de março de 2025

Gaia Ciência no Gaia Maria

 



Gaia Ciência é uma expressão que dá título a um livro de Nietzsche.  É um saber alegre: amálgama da habilidade e da liberdade. 

 

A expressão gai saber que inspira Nietzsche designa a arte dos trovadores provençais aos quais se atribui a origem do que conhecemos por poesia.  Gai saber é arte devotada ao espaço aberto, à aventura e à paixão, sem o quê os falantes do português - esta língua herdada de cavaleiros poetas -jamais teriam aportado por estas praias. 


Gaia Ciência no Gaia Maria tem sido um resgate da Filosofia enclausurada nas penumbras silenciosas das bibliotecas e da vida sedentária no ambiente acadêmico universitário. 

 

É algo que Nietzsche valorizaria: um grupo de estudos sobre pensamento contemporâneo nas mesmas areias que os lusitanos alcançaram com seu gai saber e onde se encontram os que esperam que ciclones tragam ondas para se lançarem ao mar.

 

Celebro o acontecimento citando Foucault, os últimos parágrafos de seu livro As Palavras e as Coisas.

 

Uma coisa em todo o caso é certa: é que o homem não é o mais velho problema nem o mais constante que se tenha colocado ao saber humano. Tomandouma cronologia relativamente curta e um recorte geográfico restrito — a cultura européia desde o século XVI — pode-se estar seguro de que o homem é aí uma invenção recente. Não foi em torno dele e de seus segredos que, por muito tempo, obscuramente, o saber rondou. De fato, dentre todas as mutações que afetaram o saber das coisas e de sua ordem, o saber das identidades, das diferenças, dos caracteres, das equivalências, das palavras — em suma, em meio a todos os episódios dessa profunda história do Mesmo — somente um saber, aquele que começou há um século e meio e que talvez esteja em via de se encerrar, deixou aparecer a figura do homem. E isso não constitui liberação de uma velha inquietude, passagem à consciência luminosa de uma preocupação milenar, acesso à objetividade do que, durante muito tempo, ficara preso em crenças ou em filosofias: foi o efeito de uma mudança nas disposições fundamentais do saber. O homem é uma invenção cuja recente data a arqueologia de nosso pensamento mostra facilmente. E talvez o fim próximo.

Se estas disposições viessem a desaparecer tal como apareceram, se, por algum acontecimento de que podemos quando muito pressentir a possibilidade, mas de que no momento não conhecemos ainda nem a forma nem a promessa, se desvanecessem, como aconteceu, na curva do século XVIII, com o solo do pensamento clássico — então se pode apostar que o homem se desvaneceria, como, na orla do mar, um rosto de areia.








 









quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Grupo de Estudos Gaia Ciência no Gaia Maria


 Grupo de Estudos GAIA CIÊNCIA

De pensamento contemporâneo

Previsão de Ciclones

 

 

objeto

 

Há padrões em linguagens que, na cumulação dos pensamentos, vão variando significativamente de uma época para outra. A previsão de ciclones apresenta atravessamentos pelos campos da ética, estética e lógica no Século XX com os quais poderemos  notar variações entre o pensamento típico do séc. XIX e o do séc. XXI mesmo que iniciantes em Filosofia.  E perguntar-nos se afinal ainda tardamos na modernidade, ou se já passamos para outra época ainda por ser classificada.

 

Objetivo

Pensar é um deslizamento súbito que acontece em linguagens entre a percepção e a compreensão; mundo e existência.  Este grupo de estudos se propõe dar condições para o participante reconhecer seus pensamentos de outras atividades mentais que com eles se confundem no dia-a-dia: o raciocínio, o argumento, o discurso, o cálculo, o plano, o palpite, a oração e o solilóquio.    E, mais do que isso, cultivar a atividade de pensar. 

 

Metodologia:

Gaia Ciência é uma expressão que dá título a um livro de Nietzsche.  Ela também aparece em três outros livros dele:  Além do Bem e do Mal, Genealogia da Moral e Ecce homo.  É um saber alegre (Fröhliche Wissenschaft): amálgama da habilidade e da liberdade. 

A expressão gai saber que inspira Nietzsche designa a arte dos trovadores provençais aos quais se atribui a origem do que conhecemos por poesia.  Gai saber é arte devotada ao espaço aberto, à aventura e à paixão, sem o quê os falantes do português - esta língua herdada de cavaleiros poetas -jamais teriam aportado por estas praias. 

 

Gaia Ciência é um convite para resgatarmos a Filosofia das penumbras silenciosas em bibliotecas e da vida sedentária que a dedicação acadêmica parece enclausurar o seu  imaginário. 

 

É algo que Nietzsche poderia valorizar: a iniciativa de levar um grupo de estudos sobre pensamento contemporâneo às mesmas areias que os lusitanos alcançaram com seu gai saber e onde se encontram os que esperam que ciclones tragam ondas para se lançarem ao mar.

 

O participante poderá se perguntar sobre as questões:

ü  Como a performance prevaleceu sobre a disciplina?

ü  Por que aumentou a incidência de transtornos psíquicos?

ü  Existe diferença entre calcular riscos e lidar com incertezas?

ü  Por que ainda nos sentimos inseguros em ambientes saturados de funcionalidade?

ü  Por que quanto mais celebramos a nossa autonomia, aumentam os procedimentos, protocolos e regulamentos nos ambientes em que estamos?

ü  Com tanta informação sendo gerada e disponível, aumentaram as contradições?

ü  Quais as verdades acerca dessa simples palavra, “eu”?

ü  As artes se antecipam ao conhecimento empírico acerca dos acontecimentos de uma época?

ü  Qual a diferença entre os bens éticos e estéticos no bem estar?

ü  Há mesmo relação entre verdade, beleza e bondade?

ü  Há diferença entre cuidado e responsabilidade?

Arquivos em pdf e links de videos serão disponibilizados para que se permita a melhor experiência do seu drop.

 

Participantes

 

Graduandos e graduados.  Não há necessidade de conhecimento prévio em Filosofia.

 



 

A Previsão de Ciclones

 

Primeiro suelSéculo XXI

Sudoeste

Direitas:  Da sociedade disciplinar à sociedade da  performance

EsquerdasA lógica da moral sem mundo

Terral

Direitas.  O bem estar bulímico.

Esquerdas.  Disrupções desejadas e incertezas apavorantes.

 

Segundo suelDo Ego cartesiano à descentração do Eu

Sudoeste

Direitas. Da Divina Comédia ao Sonho de um Homem Ridículo.

Esquerdas.  A maquinação e a mortalidade.

Terral

Direitas.  Razão, vontade e desejo

Esquerdas.  O self e o totalmente outro

 

Terceiro suelO Sublime e os múltiplos sentidos da experiência sensorial

Sudoeste

Direitas.  Representação e realização: da proporção áurea à Gestalt do objeto


Esquerdas.  Obra e suporte: Pablo Picasso e Raul Cortazar

Terral

Direitas.  Padrões e desconstruções:  Piet Mondrian e Ferran Adriá


Esquerdas.  Sensações e narrativas:  Antonin Artaud e Vik Muniz


Quarto suelA lógica, o Fenômeno e a Estrutura

Sudoeste

Direitas.  O problema de Gettier e o diálogo inconclusivo

Esquerdas.  A dialética negativa (Adorno) e o imaginário social instituinte (Castoriadis)

Terral

Direitas.  As pragmáticas continente (Habermas) e nômade (Deleuze)

Esquerdas.  Corpo: campo fenomênico (Merleau-Ponty) e objetalidade (Winnicott)

 

Orientador:

Guilherme Krueger 

ID Lattes: 6519422242916041